Especial do Dia da Mulher apresenta histórias de três estudantes transformadas pela educação pública
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco (SEE) celebra histórias que revelam como a educação pública de qualidade é espaço de transformação social, valorização da identidade e produção de conhecimento.
No quilombo Oito Negras, no Cabo de Santo Agostinho, Carla Daniela, 30 anos, aprendeu desde cedo que educação e resistência caminham juntas. Integrante de uma comunidade reconhecida pela luta histórica por território e preservação cultural, ela cursa o ensino médio na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em anexo da Escola Estadual Colette Catta dentro da própria comunidade.
Carla retomou os estudos em busca de novas oportunidades de emprego. “Pretendo fazer um curso técnico no próximo ano e futuramente ir à universidade. A educação para mim é tudo, é o que vai abrir portas no futuro. O conselho que eu dou para mulheres que estão estudando é que insistam, mesmo quando a vontade de desistir aparecer”, conta a estudante, que concluirá o último eixo da EJA neste ano.
Para ela, ser mulher quilombola significa resistência e conquista: “A gente precisa lutar mais ainda pelos nossos direitos. Graças à luta de mulheres antigamente, nós conseguimos vários direitos e podemos correr atrás dos nossos sonhos. Antes, a gente não tinha essa opção, o nosso futuro era casar, ter filhos e ser dona de casa. Agora, temos escolhas”.

A história de Carla dialoga com a de Ingrid da Silva, 52 anos, que decidiu voltar a estudar em 2026. Trabalhadora, mãe de duas filhas e moradora da Região Metropolitana do Recife, precisou interromper os estudos ainda na adolescência para auxiliar à mãe no cuidado com a família. Anos depois, ao perceber que a educação era essencial para sua autonomia e realização pessoal, procurou a rede estadual.
Hoje, cursa, de forma engajada, os anos iniciais do ensino fundamental na Escola de Referência em Ensino Fundamental (Eref) Professor Cândido Duarte, na Várzea, Zona Oeste do Recife.
“Em toda a minha vida, eu só tive o direito de estudar duas vezes. Voltei este ano porque precisei fazer um exame no ano passado, me pediram para escrever numa ficha e eu não sabia. Precisei pedir ajuda. Agora, a escola está me educando em tudo. Tenho fé que eu vou continuar. A educação é fundamental”, relata.
A história de Ingrid representa milhares de mulheres pernambucanas que encontram na EJA uma segunda chance – que, muitas vezes, é a primeira decisão tomada por si mesmas. Desta forma, a modalidade reafirma o papel da educação como instrumento de inclusão social em todas as fases da vida.
“A escola me abraçou de uma maneira que eu não sei explicar. O que eu diria para mulheres que querem voltar a estudar mas têm medo é que comecem. No primeiro dia que você for, você não vai querer mais parar de estudar”, incentiva.

Já no campo da ciência, o protagonismo feminino também ganha destaque. Anna Beatriz, estudante da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Joaquim Távora, na capital pernambucana, integrou um grupo de pesquisa formado só por meninas, com a proposta de analisar os impactos do biodiesel em motores diesel. O estudo analisou a potência, a vibração e o desempenho dos equipamentos, com foco em alternativas mais sustentáveis e na redução dos impactos ambientais.
“Queremos contribuir para diminuir o aquecimento global e o efeito estufa. Nós produzimos os dados e apresentamos a pesquisa para cientistas”, afirma.
Em um cenário em que a desigualdade de gênero ainda se faz presente no ramo de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), Anna reforça a importância da presença de mulheres em áreas historicamente dominadas por homens.
“A concorrência com homens é muito grande nas áreas de STEM. Muitas vezes preferem colocar homens por considerarem eles mais competentes. É uma situação muito difícil. As mulheres trabalham muito, mas ainda não são reconhecidas, porque, muitas vezes, o mérito vai para um homem”, detalha Anna.
Ela encontra inspiração nas professoras, tutoras e também em mulheres que já se destacam na engenharia. “Todas as mulheres em geral me inspiram, as minhas professoras e tutoras. Mas no ramo de engenharia mecânica tem a Hannah Schmitz, engenheira da equipe da Red Bull na Fórmula 1. Ver uma mulher nesse ramo, conversando diretamente com os pilotos, observando os gráficos, os dados, é muito inspirador”, completa.
As histórias de Carla, Ingrid e Anna representam diferentes gerações, territórios e contextos, mas convergem em um mesmo caminho: a educação. Neste Dia Internacional da Mulher, a SEE reafirma o compromisso com a valorização de mulheres que constroem, todos os dias, uma rede acolhedora, diversa e transformadora.

Fotos: Josimar Oliveira/SEE

