Obra de Dayanna Louise aborda narrativas de pessoas que voltaram à escola pela EJA 

A professora da Rede Estadual Dayanna Louise lançou, nesta quinta-feira (11), o livro “Sobrevivi para contar: narrativas transvestigêneres na EJA”, que aborda as vivências de 12 estudantes trans de escolas estaduais. A obra da chefe da Unidade de Educação para as Relações de Gênero e Sexualidades (Unergs), da Secretaria Estadual de Educação (SEE), é fruto de sua pesquisa de mestrado em Educação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

O livro analisa narrativas de pessoas trans que retornaram à escola pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Pernambuco. Em suas páginas, a autora também aborda questões como o papel da escola, o currículo e as subjetividades que permeiam o ambiente escolar. 

Nas histórias retratadas, Dayanna propõe discursos que contrapõem os dados de abandono escolar e a exclusão das pessoas trans dos ambientes acadêmicos, trazendo à tona histórias de quem voltou a estudar, apesar de todas as dificuldades de acesso e permanência para pessoas trans nas escolas. 

Para a escritora, o livro reverbera a voz de quem insistiu em ocupar a sala de aula como espaço de resistência e transformação. “A permanência de jovens e pessoas adultas na escola é um problema histórico no Brasil, profundamente relacionado com fatores como a pobreza, o início precoce na vida laboral, o difícil acesso à moradia e a falta de assistência à saúde. No caso das pessoas trans, esses aspectos se articulam à falta de reconhecimento, à ameaça constante de violência física e psicológica, à negação de acesso a espaços públicos e à precária rede de afetos e solidariedade. Essas trajetórias nos possibilitam pensar nos modos de existência que circulam e se cruzam no currículo escolar”, considera Dayanna, reconhecida por seu trabalho em defesa da igualdade de gênero e diversidade. 

EJA em Pernambuco 

A Educação de Jovens e Adultos é uma prioridade para a gestão estadual. Segundo o resultado do Censo 2024, divulgado em abril pelo Ministério da Educação (MEC), Pernambuco apresentou um crescimento de 3,2% na EJA. Em 2025, a Rede Estadual lançou a campanha de matrículas “Dia D: Mobiliza EJA” que, no primeiro semestre, alcançou  15.653 novos inscritos. 

A partir do Programa PE + Alfabetizado, parte do Programa Brasil Alfabetizado, Pernambuco tem consolidado o processo de alfabetização de jovens a partir dos 15 anos de idade, adultos e idosos que não tenham o domínio da leitura e da escrita. Atualmente, o estado oferece 280 turmas, que atendem 3054 estudantes.