Programação propôs debates, oficinas e outras atividades culturais para destacar o protagonismo negro na defesa do meio ambiente
Ainda em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, a Escola de Referência em Ensino Fundamental (Eref) Sigismundo Gonçalves, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, realizou a 3ª ExpoAfro. O evento teve como tema “Negritudes e Justiça Socioambiental: a luta do povo negro pela conservação do meio ambiente”, em conformidade com o tema da Secretaria de Educação para o ano letivo de 2025.
O propósito do evento foi destacar o protagonismo negro na construção de um mundo mais sustentável e justo. Durante a programação, estudantes do 6º ao 8º anos realizaram mesa-redonda, exposição fotográfica, mostra de cinema e debate, oficinas e painel interativo. Cada série ficou responsável por uma temática diferente: o 6° ano trabalhou o tema “Mangue”; o 7° ano abordou “Comida e Cinema”; e o 8° ano explorou “Negro, música, diáspora e negritude”.
As discussões foram realizadas em oito eixos temáticos: “Os saberes ancestrais e ecologia”; Lideranças negras na luta ambiental”; Racismo Ambiental; Afrofuturismo e Sustentabilidade”; Cultura e Meio Ambiente”; Água como direito humano”; “Economia preta e sustentável”; e Arte, cultura e ativismo negro”.
A Eref Sigismundo Gonçalves promove o conhecimento afrocentrado ao longo de todo ano letivo. Em 2024, a escola recebeu o reconhecimento do Ministério Público de Pernambuco de escola antirrascista.
Foto: Divulgação/SEE
Para a gestora da escola, Leidemere Silva, o evento tem um papel fundamental na formação crítica dos estudantes. “A gente trouxe as potencialidades negras para o centro da discussão. Neste ano, falamos das ações que envolvem a luta do negro na conservação do meio ambiente, pois a gente sabe que, estatisticamente, quem mais sofre com a injustiça ambiental são os negros que moram na periferia e são constantemente afetados por enchentes e qualquer desastre ecológico”, destacou.
A equipe do 6º ano do ensino fundamental anos finais composta pelas estudantes Fernanda Sophia, Ana Beatriz, Daphyne Vitória, Rayane Letícia, Yasmin Luiza, Laila Yasmin, Maria Sophia, Rosália Graziely, Lara Letícia e Anali Vitória, apresentou um trabalho sobre a preservação dos manguezais. Com o tema “Saberes africanos e o manguezal”, as alunas compartilharam aprendizados construídos ao longo da pesquisa. “Nas pesquisas feitas em sala de aula e em casa, aprendi que não devemos poluir o mangue, ou a maré, como muitos falam. Não podemos poluir porque dali nascem muitas espécies e é o berço de vida de animais, como o tubarão. Aprendi isso pintando em sala, de uma forma mais didática e lúdica, além dos filmes que o professor indicou para assistirmos”, ressaltou Daphyne Vitória.
A estudante Kaylane Elaine, do 8° ano do ensino fundamental anos finais, apresentou o tema “Mulheres da Diáspora: vozes negras que semeiam futuro”. Seu grupo, composto por Cláudio Vitor, Rayssa dos Santos, Larissa dos Santos, Meyckilana da Silva e Helen Beatriz, buscou transmitir a força das narrativas femininas negras. “A mulher negra sempre foi raiz, voz e semente. Desde as origens da humanidade, ela carrega o poder de cuidar da terra, do corpo e da palavra, nas histórias, nas rezas, nas canções e na luta. A mulher negra é quem mantém o ciclo da vida”, ponderou Kaylane.















