Programação aconteceu no Engenho Poço Comprido, na cidade de Vicência, e contou com a apresentação de trabalhos nas áreas de artes visuais, audiovisual, teatro, dança e música

Estudantes da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco participaram, nesta quarta-feira (14), do ciclo de encerramento e culminância das comemorações dos 200 anos da Confederação do Equador. O evento foi realizado no Engenho Poço Comprido, localizado no município de Vicência, na Zona da Mata, que foi palco de fatos históricos importantes relacionados ao movimento revolucionário de 1824. 

A programação desenvolvida pela Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco (SEE) trouxe exposição e apresentação dos trabalhos realizados nas unidades de ensino, nas áreas de artes visuais, audiovisual, teatro, dança e música. Participam alunos das Escola em Referência em Ensino Médio (EREM) Padre Guedes, EREM Frei Caneca, Escola Jarbas Passarinho e a EREM Confederação do Equador. Um estudante de cada unidade teve momento de fala, numa roda de diálogo, relatando as experiências vividas nas dimensões artística e pedagógica. 

O estudante do terceiro ano da EREM Padre Guedes, Luiz Marcelino, descobriu novas habilidades nas artes plásticas. Com uma tela em branco e muita tinta, ele mostrou o verdadeiro sentido em aprender sobre a Confederação do Equador. “A ideia principal do meu quadro foi representar a que Frei Caneca fez por Pernambuco, destacando as três palavras características usadas por ele, que são liberdade, justiça e força. Acho muito importante nós como cidadãos pernambucanos falarmos sobre isso”, conta o estudante. 

Durante a celebração, houve a apresentação teatral “Frei Caneca – 200 anos da Confederação do Equador”. A peça possui texto e direção de Carlos Carvalho e produção de Paulo de Castro, profissionais reconhecidos na cena cultural do estado. O espetáculo conta a história do principal personagem da Confederação do Equador, o religioso Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, que foi executado pelo Governo Imperial por participar do movimento e defender a democracia e a instauração de uma república.

“Esta comemoração impacta na importância histórica desse acontecimento, que nos leva à reflexão sobre o lugar que Pernambuco ocupou na independência do país e no enfrentamento ao pensamento colonial que ainda não foi de todo superado, ecoando em muitas práticas e lugares, sobretudo nas escolas, território de formação e acesso a conhecimentos emancipatórios. Sendo assim, a Secretaria de Educação assume o compromisso de tornar essa história mais conhecida pelos nossos estudantes, professoras e professores, possibilitando o acesso a versões não contadas pelas narrativas oficiais”, explica Ana Lúcia Barbosa, secretária executiva de Desenvolvimento da Educação. 

As atividades de formação e cultura nas escolas da rede estadual foram iniciadas em julho de 2024 e seguem até  julho de 2025, com contação de histórias nas bibliotecas, além de intervenções culturais nas áreas da música, dança, teatro e artes plásticas para os professores e estudantes. 

“Começamos a desenvolver em sala de aula algumas discussões sobre a temática e ampliamos para algumas atividades, de forma mais lúdica, onde os alunos ficaram mais empolgados com a chegada da data comemorativa. Trouxemos também a questão de gênero, pois temos uma história muito masculina, branca e eurocentrada. Com isso, tivemos os estudantes pensando “fora da caixa” com elementos sobre a descolonização, ou seja, invertemos a pirâmide e com isso temos essa celebração a partir dessas telas. Ao todo, foram produzidas cinco obras”, explica Uenes Gomes Barbosa, professor de História da EREM Padre Guedes. 

Engenho Poço Comprido – No local, que, na época do movimento revolucionário, serviu de abrigo aos liberais que, sob comando de Frei Caneca, proclamaram a Confederação do Equador, atualmente funciona um museu. O espaço integra capela, casa-grande e moita do engenho de açúcar e é o único remanescente desta arquitetura do século XVIII em Pernambuco. 

Fotos: Demison Costa