Equipe da Erem Engenheiro Lauro Diniz, no Recife, venceu etapa final da competição com app que auxilia famílias de crianças com TEA
Estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Engenheiro Lauro Diniz, localizada na Zona Sul do Recife, foram destaque nacional ao venceram a etapa final da Olimpíada Brasileira de Tecnologia (OBT), competindo com equipes de escolas públicas de ensino médio de todo o país. A equipe Sunflower sagrou-se campeã após desenvolver o aplicativo Autispec, que auxilia famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O resultado foi divulgado no último sábado (19).
Para participar da fase nacional da OBT, chamada de Desafio App, os estudantes precisam desenvolver o protótipo de um aplicativo que forneça soluções para um problema social. Ao todo, oito equipes da Erem Engenheiro Lauro Diniz foram premiadas na primeira fase da OBT e conquistaram o direito de participar da Semana Escola Avançada de Tecnologia (Semana EAT), onde ocorre a fase final. O evento imersivo aconteceu de 14 a 19 de junho, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e contou com uma delegação de 40 estudantes da Rede Estadual de Pernambuco.
Foram três medalhas de bronze, duas de prata, uma de ouro e duas menções honrosas para a unidade de ensino. A Escola Técnica Estadual (ETE) Mariano Teixeira, da Zona Sul do Recife, também teve uma equipe medalhista de prata com o app UpMed, protótipo que pretende promover diagnósticos através da imagem de exames laboratoriais e auxiliar pessoas na procura de assistência médica. A ETE concorreu na categoria que abrange escolas de ensino médio técnico, colégios militares e institutos federais.
Com a vitória, os seis estudantes da equipe Sunflower ganharam uma viagem ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. “Durante o Desafio App, a gente tem a oportunidade de apresentar o nosso aplicativo funcional, pronto para uma possível comercialização. O Autispec é um app que ajuda no desenvolvimento da criança autista e na comunicação entre as clínicas e os pais. No aplicativo tem uma anamnese, por exemplo, para os profissionais da saúde já terem acesso a informações prévias sobre a criança”, explica Pablo Melo, gestor da Erem e orientador da equipe.
Durante a semana EAT, os estudantes participaram de oficinas, mentorias, exposições e visitas a centros científicos, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As melhores equipes foram convidadas a executar seus protótipos, sendo avaliadas também pela apresentação oral e banners explicativos que detalham o funcionamento e o propósito dos projetos, que precisam estar alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A competição busca incentivar o protagonismo juvenil por meio da tecnologia e do empreendedorismo. Para os alunos do grupo Sunflower, a participação na olimpíada vai muito além da competição, representa uma oportunidade de transformação, aprendizado e inovação com propósito. “A semana EAT é uma experiência que abre a mente e traz muitas oportunidades. Ir para outro estado e conhecer novas pessoas proporciona uma outra visão de mundo. Meu grupo está muito orgulhoso de trazer a medalha para casa e ansioso para ajudar famílias atípicas com o nosso projeto”, diz a estudante Mariane Silva.
Para Gabrielly Bastos, outra integrante do grupo, o prêmio representa um grande incentivo para seguir com o desenvolvimento do app. “Depois de dois anos batalhando por isso, é realmente incrível. Estamos todos muito animados, porque a gente realmente precisava de um incentivo para levar o nosso trabalho adiante, já que ele vai ser muito importante para as famílias atípicas. A minha ficha ainda não caiu, mas foi um dos momentos mais alegres da minha vida, por ter nosso trabalho reconhecido”, conta a estudante.
Engajamento
Este já é o terceiro ano de participação da Erem Engenheiro Lauro Diniz na competição. Em 2023, a escola conquistou uma medalha de ouro na OBT. No ano seguinte, em 2024, seis equipes participaram da etapa nacional, trazendo para casa uma medalha de prata e uma de bronze.
“A experiência da viagem, no ano passado, mobilizou um grande número de estudantes. Essa participação contagiou a escola. Os alunos vivenciaram um ambiente de competição saudável, estimulando o engajamento nos estudos e a busca por conhecimento. Essa experiência impulsionou a participação de mais de 40 estudantes na OBT e em outras olimpíadas, como a Olimpíada Brasileira de Biologia, além de competições de língua estrangeira”, relata Pablo.
Para o gestor, a metodologia da sala de aula invertida, presente nessas olimpíadas, complementa o currículo escolar. “A OBT, em particular, demonstrou ser um espaço de aprendizado em competição. Os alunos desenvolveram habilidades de resolução de problemas e elaboração de soluções, utilizando tecnologias para alcançar os ODS. O engajamento foi intenso, com os estudantes dedicando aproximadamente quatro meses ao projeto, estendendo-se para além do horário regular das aulas. Essa dinâmica impactou positivamente o ambiente escolar”, conta.
Para criar os projetos tecnológicos, a escola conta com a atuação de professores ligados à área, além do apoio do laboratório de informática e uso de softwares de desenvolvimento.
Olimpíada Brasileira de Tecnologia
Esta é a 4ª edição da OBT. Durante a olimpíada, as equipes foram avaliadas pela diagramação e prototipagem dos aplicativos que desenvolveram. A primeira fase é dividida em duas tarefas: resolução de desafios de matemática aplicada e lógica computacional e apresentação de vídeo com um problema que seja de relevância para a sua comunidade local, regional ou nacional.
Na terceira fase, o Desafio App reúne os 10 times melhor ranqueados pelas notas da primeira e da segunda fase e os 10 times de melhor desempenho na prova optativa de programação básica. A Olimpíada é uma realização do Instituto Alpha Lumen, com apoio do Massachusetts Institute of Technology Brasil, em parceria com o Steam para a Educação Tecnológica.







