Ação resulta de um investimento pedagógico do governo estadual em priorizar uma educação de qualidade para todos

Teve início, nesta semana, a elaboração coletiva do currículo da Educação de Jovens e Adultos do Campo (EJA Campo) no estado de Pernambuco. Durante quatro dias, 250 docentes e lideranças campesinas, reunidos por área de conhecimento, deram início à escrita do organizador cultural. As discussões foram realizadas por áreas do conhecimento, sendo Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, e tiveram como eixo central o diálogo entre saberes pedagógicos e experiências territoriais. A reunião ocorreu no município de Gravatá.

Diferente de processos centrais e distanciados das realidades locais, o trabalho coloca professores da EJA Campo e representantes dos movimentos sociais do campo para pensar coletivamente um currículo que represente os sujeitos, seus territórios e os temas que fortalecem o campo como espaço de produção da vida e do desenvolvimento. Esta ação resulta de um investimento pedagógico do governo estadual em priorizar uma educação de qualidade que tenha a participação de todos, priorizando o diálogo entre professores que atuam em territórios rurais e organizações sociais, como sindicatos, associações de agricultores familiares, movimentos de educação do campo e redes comunitárias.

Movimentos sociais do campo, que muitas vezes articulam luta por terra, acesso à água, assistência técnica e políticas públicas, atuam como parceiros no mapeamento das demandas territoriais e na proposição de eixos temáticos. Sua participação, segundo coordenadores do processo, garante que o currículo dialogue com reivindicações históricas, como o direito à terra, a agroecologia e a educação contextualizada para povos e comunidades campesinas.

A metodologia proposta busca romper com um currículo padronizado que pouco dialoga com as especificidades culturais, produtivas e sociais dos territórios do campo. Para a gerente de Políticas Educacionais do Campo, Waldênia Leão, “o currículo da EJA Campo tem sido fruto de um processo contínuo de diálogo com os sujeitos do campo, possibilitando incorporar saberes da cultura, do trabalho e do cotidiano”.

As produções por área de conhecimento serão sistematizadas pela equipe técnica da GEPEC/SEE e, posteriormente, encaminhada para apreciação e aprovação pelo Conselho Estadual de Educação.