Iniciativa foi desenvolvida durante primeiro semestre da disciplina História de Pernambuco
A Escola de Referência em Ensino Fundamental (Eref) Gercino de Pontes, no Recife, promoveu o evento de encerramento do projeto “África: fonte rica e desconhecida da história de Pernambuco” nesta quarta-feira (17). A iniciativa foi desenvolvida no decorrer do primeiro semestre da disciplina História de Pernambuco, com as turmas do 6º ano.
Temas como a herança cultural negra, o racismo estrutural e a intolerância religiosa, principalmente no ambiente escolar, foram debatidos durante o projeto. Além disso, a iniciativa abordou temáticas como as regiões da África, o tráfico negreiro e a centralidade do Recife nas rotas de escravizados pelo Brasil. Ferramentas como peças teatrais, jornais, produção audiovisual e visitas de campo foram utilizadas para abordar os conteúdos.
“O desenvolvimento do projeto possibilitou articular teoria e prática por meio da utilização de diferentes instrumentos e procedimentos avaliativos. As atividades realizadas favoreceram a participação dos estudantes, a valorização do protagonismo negro na História de Pernambuco e a construção de aprendizagens significativas. Fizemos esse trabalho para que os alunos tivessem uma nova concepção da África e entendessem como esse continente é fundamental para a nossa identidade”, avalia a coordenadora do projeto, Audenice Alves.
A professora de história da Eref foi uma das palestrantes do evento, que também contou com falas da professora Danielle Camelo (UFRPE), orientadora do projeto pela Residência Docente, e de Ilana Aguiar (GRE Recife Sul). Edson Alves apresentou o podcast Sagas Pernambucanas, iniciativa da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) que apresenta os principais personagens da história do estado numa perspectiva humanizada.
Durante o evento, também foram exibidos curtas-metragens encenados pelos alunos, com roteiro e direção dos professores da escola. O filme “O julgamento de divino mestre, o Lutero negro” retrata a figura de Agostinho José Pereira, homem negro participante da Confederação do Equador que foi preso e julgado em 1846 por ensinar outros negros a ler. Já “Pernambuco em resistência” representa um trecho da Insurreição Pernambucana de 1646 que se passou no atual território da Imbiribeira, bairro onde fica localizada a escola.
“O Governo do Estado desponta, trazendo a história de Pernambuco para o currículo e permitindo que a rede estadual de ensino possa mergulhar na riqueza que é a história do nosso estado. A partir daí, abrimos novas portas para abordar a relação com a identidade e o pertencimento, além de gerar ciência. O que vimos aqui na Gercino de Pontes foi espetacular. Estudantes protagonistas, estudantes pesquisando, produzindo material, professores encantados e encantando também”, comentou Danilo Santos, secretário executivo de Desenvolvimento da Educação que marcou presença no evento.
Desde o início, o projeto também envolveu as famílias dos estudantes, multiplicando as ações de letramento negro para toda a comunidade escolar. Formulários de entrevistas foram entregues aos pais e responsáveis para investigar seus conhecimentos prévios sobre o continente africano e sua relação com Pernambuco.
História de Pernambuco é disciplina obrigatória para estudantes da rede estadual desde o início deste ano letivo. A iniciativa é resultado da proposta encaminhada pelo Governo de Pernambuco ao Conselho Estadual de Educação, em julho de 2025, e representa um avanço na valorização da identidade histórica e cultural pernambucana no ambiente escolar.
Residência Docente
A iniciativa da Eref Gercino de Pontes também faz parte do Projeto Estadual de Residência Docente, que busca aprimorar a formação de novos professores e valorizar os profissionais da educação básica. Lançado pelo Governo de Pernambuco em 2025, o projeto apoia práticas de inovação em sala de aula e aproxima licenciandos, professores e instituições de ensino superior das escolas públicas, concedendo bolsas de apoio aos participantes.







