Neste Dia Internacional da Síndrome de Down, a SEE celebra a trajetória de Camila e Miguel

A educação inclusiva faz parte do cotidiano das 1.082 escolas da Rede Estadual de Pernambuco. É a partir dessa realidade que Camila Borges e Miguel Souza, estudantes com síndrome de Down, desenvolvem suas potencialidades sociais e intelectuais diariamente. Histórias como as deles ganham destaque neste 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down. 

A data faz alusão à singularidade da triplicação (trissomia) do cromossomo 21, causadora da condição genética, e foi criada com o intuito de promover discussões sobre a garantia de igualdade e oportunidades para pessoas com a síndrome. Reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2012, ela passou a ser celebrada oficialmente pelo Brasil em 2023. 

A trajetória de Camila na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Dom Sebastião Leme, no Recife, já é marcada por importantes avanços. Se antes da sua chegada, em 2025, interagir era um desafio, hoje a estudante constrói vínculos com mais segurança. “Ela chegou aqui no 1º ano e tinha muita dificuldade de estar em sala. Hoje em dia, no 2º ano, ela já socializa e faz questão de ir para a aula”, explica Carmen Lúcia Oliveira, professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE). 

A evolução da estudante de 16 anos veio a partir dos atendimentos do AEE. “Os alunos atendidos vêm para a sala de recursos multifuncionais nos intervalos e ficam socializando. Ela foi vendo isso e começou a interagir também”, conta a professora. Camila é atendida pelo AEE duas vezes por semana, onde trabalha habilidades como a escrita e operações matemáticas, de forma lúdica, por meio de jogos como quebra-cabeça e jogo da memória, seus favoritos. 

Vaidosa, a estudante é conhecida pela sua paixão por maquiagem. “Desde a hora que chega e vai pra sala, ela não solta a bolsa da maquiagem”, comenta Carmen. O processo de inclusão é responsabilidade de todos os membros da comunidade escolar. Por isso, nesta semana, o AEE preparou um momento de conscientização sobre a síndrome de Down em cada turma. 

Na Erem Manoel Borba, no Recife, a inclusão também faz parte da rotina. Lá, Miguel, de 17 anos, evolui cognitivamente a partir do auxílio do AEE. Atividades que estimulam a sua coordenação motora e habilidades de contagem fazem parte dos seus atendimentos, que também acontecem duas vezes por semana. “A gente trabalha no intuito de ajudá-lo a ter uma melhor performance na sala de aula. Ele não é totalmente alfabetizado. Conhece as letras, mas não sabe ler. Então a gente tenta desenvolver a mediação para que ele entenda que na sala de aula o professor vai ser esse mediador”, explica Tatiane Araújo, professora do AEE na unidade de ensino. 

Segundo ela, o trabalho também busca fortalecer o sentimento de pertencimento, já que estudantes com síndrome de Down, muitas vezes, enfrentam dificuldades para fazer amigos. “O AEE não é reforço escolar, é um espaço para alavancar esses estudantes e garantir mais equidade dentro da sala de aula”, reforça.

Estimulado desde criança pela prática de esportes, Miguel tornou-se um jovem competitivo, característica que é bastante explorada pela professora. “A competição é um ativador que a gente usa como estratégia. Se, antes de uma prova, eu faço uma atividade que ativa essa característica, ele vai fazer a avaliação mais focado, querendo tirar a melhor nota”, comenta. 

Miguel faz aula de natação desde os sete anos no Parque e Centro Esportivo Santos Dumont, onde fica localizada a escola. Atualmente, também pratica, no local, modalidades de atletismo, como corrida, salto em distância e arremesso de peso. “Nas competições, ele sempre vai bem determinado e sempre traz uma medalhinha para casa. O pessoal que treina junto abraça muito ele”, diz Daniel Gonçalves, seu professor de atletismo. 

Camila e Miguel provam que com o devido suporte de uma educação verdadeiramente inclusiva, pessoas com síndrome de Down conseguem desenvolver habilidades e conquistar seu lugar no mundo. 

Fotos: Josimar Oliveira/SEE