Educação Fiscal nas Escolas forma professores da rede estadual de ensino para multiplicarem o conhecimento sobre impostos e justiça tributária na comunidade escolar
Escolas e hospitais públicos funcionando diariamente, programas de assistência social transformando realidades e transporte público circulando. Todos esses serviços são pagos com dinheiro de impostos quitados pelos cidadãos, mas nem todos entendem como funciona a tributação e a importância da própria participação nesse processo. É a partir daí que surge o projeto Educação Fiscal nas Escolas, desenvolvido em conjunto pelas secretarias de Educação (SEE) e da Fazenda (Sefaz), do Governo de Pernambuco.
O projeto realiza, a cada ano, a formação de professores da rede estadual de ensino a fim de multiplicar o conhecimento sobre educação fiscal, justiça tributária e participação cidadã. Em 2026, o projeto explora especialmente a reforma tributária, que começou a ser implementada gradualmente neste ano e terá influência sobre a vida financeira de todos os brasileiros.
Uma das unidades de ensino contempladas com o projeto é a Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Augusto Gondim, em Goiana, na Mata Norte de Pernambuco. No ano passado, com a facilitação da professora Viviane Menezes, o plano de aula “Tributo à Saúde: compreendendo a rota do ICMS ao SUS” se tornou referência para a Escola Fazendária de Pernambuco (Esafaz) e passou a ser trabalhado como estudo de caso inspirador.
“Levei o projeto para o ano todo e ele virou um e-book, tornando-se uma proposta inspiradora para que os demais professores o replicassem nas escolas”, conta Viviane. Neste ano, ela segue junto ao projeto e traz o plano de aula “Na mesa com os impostos”, junto aos estudantes da Erem Augusto Gondim e com o apoio do grêmio estudantil da escola e do posto fiscal de Goiana.
O plano de aula teve início na semana do Dia de Tiradentes, comemorado em 21 de abril, explorando a relação entre a população e o Estado em relação aos impostos na época da Inconfidência Mineira e nos dias atuais. Para a comunidade escolar da unidade de ensino, que é vinculada à Gerência Regional de Educação (GRE) Mata Norte, o projeto foi uma oportunidade de aprender sobre o papel dos impostos, bem como sobre direitos e deveres, participação cidadã, ética e responsabilidade.
“Foi muito bonito ver os estudantes serem protagonistas em cada ação, o empenho em estudar o assunto para repassar aos pais e colegas, bem como a compreensão deles, em debates, sobre a escola pública e as verbas destinadas a ela. Assim, eles compreenderam que ‘a escola é mantida pelos impostos’; ou seja, conseguimos desenvolver o projeto em todas as turmas, despertando neles a cidadania e a reflexão crítica no cotidiano”, celebra Viviane.
Junto aos professores de diferentes disciplinas, os estudantes aprenderam sobre os impostos e sua destinação. A depender da disciplina, os professores solicitam, como atividade, a criação de mascotes, panfletos e histórias em quadrinhos.
Um dos professores parceiros no desenvolvimento do trabalho foi Alexsandro de Araújo, que reforçou a importância do tema trabalhado em suas aulas. “Nas discussões, nós percebemos que alguns alunos não tinham noção de como os impostos são aplicados nessas políticas públicas e da necessidade de o Estado atender às parcelas mais vulneráveis da população a partir delas. Nós usamos o material que foi produzido junto às turmas como base para as nossas aulas e para a construção dos argumentos. Foi um trabalho enriquecedor para mim e para os alunos”, afirmou Alexsandro.
Após debaterem o tema em sala de aula, estudantes, professores e pais foram ao posto fiscal de Goiana, onde um auditor da Sefaz palestrou sobre a reforma. A atividade foi concluída com uma “rotação de estações”. Familiares e estudantes passaram em mesas temáticas sobre cada etapa da tributação: consumidor, empresas e governo. O objetivo do diálogo foi refletir sobre o propósito e as mudanças previstas com a reforma tributária.
O estudante Caio Lopes, do 3º ano do ensino médio, participou do trabalho desenvolvido na Erem Augusto Gondim e gostou bastante da experiência, destacando a importância do projeto na escola. “Aprendi como os impostos deveriam ser utilizados, e percebi que muitos estudantes não sabiam que tudo o que recebemos nas escolas vem dos impostos”, comentou.
A avaliação do trabalho é compartilhada por Pedro Lira, da mesma turma. “O que eu senti sobre esse trabalho é que foi muito leve, dinâmico, e com muito diálogo e participação de todos. Isso fez o trabalho muito divertido para mim e mostra a importância dessa reforma tributária”, acrescentou.

